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Terra Blog

14.03.08

Eu leio e não vejo tudo.

Há algum tempo estava pensando em reler alguns livros que li e gostei muito. Eu tenho uma mania muito interessante e cara que é comprar livros. Alguns eu compro porque não resisto à vontade de ler, outros - acreditem - eu compro porque li e gostei, portanto, quero tê-los. Há muito tempo não vou na biblioteca, mas houve uma época em que eu conhecia cada grãozinho de pó daquelas prateleiras. Quanto a essa época, tenho que confessar uma coisa. Eu morro de vergonha, mas vamos lá: quando eu achava um livro maravilhoso lá no meio de um monte de porcarias, retirava o livro, lia e no dia de devolver eu dizia para a moça entediada e distraída da biblioteca que o havia perdido. Dessa forma, dizia ela, eu deveria doar um livro para a biblioteca para ressarcir a perda. Doei vários, mas não se assustem, nem todos eram da Danielle Steel, doei alguns bons também. Bom, enfim, este post foi sugerido por e-mail pela Frã. Ela queria um resumo dos livros bons que já li, mas eu resolvi fazer diferente. Como sou extremamente crítica e chata, não vou conseguir escrever sobre eles sem dar a minha opinião. Leiam com cautela e lembrem-se: é apenas a minha opinião, não sou especialista nisso.

O Xangô de Baker Street - Jô Soares
Tirando umas piadas sem graça totalmente fora de contexto no meio da história, o livro é legal. Conta sobre a vinda de Sherlock Holmes ao Brasil para investigar o sumiço de um violino Stradivarius (raríssimo). É interessante porque você lê o livro inteiro e não desconfia em momento algum que o culpado é o dono da livraria (ops, hehe).

Exodus 1 e Exodus 2 - Leon Uris
Esses livros contam a história da Intifada, uma guerra entre judeus e árabes na Palestina, nos anos 50, quando foi criado o Estado de Israel. É interessante conhecer a história de um povo historicamente nômade que um dia resolveu invadir um território ocupado porque Moisés falou não sei quantos anos antes de Cristo que aquela era a terra prometida. Mas é interessante também porque conta como eles desenvolveram uma técnica agrícola que transforma banhado em terra fértil e como funciona um Kibutz, onde todos produzem e dividem tudo (o que prova que é um povo historicamente nômade).

O velho e o mar - Ernest Heminghway
Conta a história de um pescador solitário que sai para o mar, fisga um peixe muito grande e ambos passam a lutar pela sobrevivência (o peixe para sair vivo e o pescador para não morrer de fome). Achei interessante quando li, mas deixou de sê-lo quando percebi que celebridades pseudo-intelectuais o citam como referência da mesma forma que candidatas a miss citam "O pequeno príncipe".

Chatô, o rei do Brasil - Fernando Morais
É a biografia do Assis Chateaubriand, uma aula de história. Conta como uma cara pobre do sertão nordestino se tornou o rei da imprensa no Brasil. O cara era um blefe, mas sem dúvida contribuiu muito com as telecomunicações e o progresso da imprensa brasileira. Sei não, mas devia ser o ídolo do Roberto Marinho.

O centauro no jardim - Moacyr Scliar
Imagine um centauro nascido no bairro de Belém Novo, em Porto Alegre. Pois é. Enquanto era apenas um descampado pouco habitado, tudo bem. Mas o cara era inteligente, não queria ficar escondido o resto da vida. Gostaria de saber como se faz para ter uma mente criativamente fantasiosa como o Moacyr Scliar. Tudo de bom! OBS: eu li também "O exército de um homem só". É tão complicado que não consegui resumí-lo em poucas palavras.. mas é muito bom.

O Quinze - Rachel de Queiroz
Conta a história de uma família de retirantes nordestinos durante uma forte seca. A família segue a pé para a capital após constatar que não havia mais comida, água e condições de produzir. Durante a jornada lutam para manterem-se vivos, especialmente os filhos. É comovente, trágico, lindo. Poderia ser uma história qualquer, não fosse ela escrita pela Rachel de Queiroz.

Cem anos de solidão - Gabriel García Márquez
Esse é o meu xodó. Não, não conta a história de uma solteirona que aos 100 anos encontra o amor em um velhinho de 80. Conta a história da família Buendía, que tem altos e baixos assim como o local onde vivem. É tão envolvente que o próprio Gabo (sim, ficamos íntimos) não conseguia terminar de escrevê-lo e chorava cada vez que um personagem tinha que morrer. Esse eu quero reler, reler e reler, assim como todos os livros do meu escritor preferido.

Dentre tantos que já li, escolhi esses para a Frã. Mas, como ninguém é perfeito, eu também não passei imune à "Pollyana Menina", "Pollyana Moça", "Brida", "As Valkírias", "O Diário de um Mago". Até "O Livro dos Espíritos" eu li! Mas fui salva a tempo pela razão (com todo o respeito, é claro). Mas se tem um livro que me orgulho de nunca ter lido é "Violetas na janela". Pelamor.


  • criado por  p.aula criado por p.aula
  • Postado em 16:38:02
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