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Terra Blog

22.04.08

Rir de tudo é desespero?

Quando as coisas começaram a quebrar lá em casa, eu nem imaginava que a culpa era da nuvenzinha preta que me acompanhava há dias. Ela tava ali bem em cima da cabeça e se movimentava sempre na direção dos meus passos. Saldo: uma empregada demitida, um ferro elétrico queimado, uma máquina de lavar estragada, um chuveiro que não esquenta e um tanque entupido. Ah sim, a porta do armário da sala caiu em cima da cabeça da Laurinha. Essa sucessão de pequenas mini tragédias estragaram alguns dos meus dias, até que resolvi reagir. De repente comecei a achar tudo engraçado, as coisas melhoraram e as pessoas lá de casa ficaram mais felizes.
Eu sei: não se deixar levar pelos maus pensamentos é melhor, mas que bom se a gente pudesse escolher né? Mas é possível, sim, mudar de atitude diante das coisas que acontecem em nossa vida. Certamente eu já fui muito pior, mas a convivência com pessoas positivas, as cobranças dessas pessoas diante de minhas reações e a mente aberta para novas experiências me tornaram uma pessoa mais calma, serena, sorridente.
A Fernanda reclamava que eu não ria das coisas. Eu achava as coisas engraçadas, mas não sentia necessidade de rir. Só me dei conta disso depois que ela pegou no meu pé.
Mas o importante é que eu continuo achando engraçado o fato de ganhar menos de dois salários mínimos por mês, sendo que deste salário sobram menos de R$ 10,00 para meus gastos pessoais, que atualmente não incluem mais roupas em geral, roupas íntimas ou outros objetos de desejo de qualquer mulher que tenha um pingo de vaidade. Não freqüento manicure, ficando esta tarefa delegada a mim nos sábados à tarde, mas continuo rindo. Não pinto o cabelo há 4 anos, mas este gasto voltarei a ter em breve, mesmo achando super engraçado não conseguir mais disfarçar os fios de cabelos brancos. Quando sobra um troquinho a mais, me dou ao luxo de comprar o hidratante corporal de R$ 6,00 que é o único que minha pele frágil e alérgica permite usar. Não é engraçado?
Pois é, mas o mais engraçado de tudo é a comédia da minha vida pessoal. Uma piada que poucos conhecem, mas se todos conhecessem talvez entenderiam porque eu vivo com esse sorriso enorme estampado na cara.

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  • Postado em 16:14:38

14.03.08

Eu leio e não vejo tudo.

Há algum tempo estava pensando em reler alguns livros que li e gostei muito. Eu tenho uma mania muito interessante e cara que é comprar livros. Alguns eu compro porque não resisto à vontade de ler, outros - acreditem - eu compro porque li e gostei, portanto, quero tê-los. Há muito tempo não vou na biblioteca, mas houve uma época em que eu conhecia cada grãozinho de pó daquelas prateleiras. Quanto a essa época, tenho que confessar uma coisa. Eu morro de vergonha, mas vamos lá: quando eu achava um livro maravilhoso lá no meio de um monte de porcarias, retirava o livro, lia e no dia de devolver eu dizia para a moça entediada e distraída da biblioteca que o havia perdido. Dessa forma, dizia ela, eu deveria doar um livro para a biblioteca para ressarcir a perda. Doei vários, mas não se assustem, nem todos eram da Danielle Steel, doei alguns bons também. Bom, enfim, este post foi sugerido por e-mail pela Frã. Ela queria um resumo dos livros bons que já li, mas eu resolvi fazer diferente. Como sou extremamente crítica e chata, não vou conseguir escrever sobre eles sem dar a minha opinião. Leiam com cautela e lembrem-se: é apenas a minha opinião, não sou especialista nisso.

O Xangô de Baker Street - Jô Soares
Tirando umas piadas sem graça totalmente fora de contexto no meio da história, o livro é legal. Conta sobre a vinda de Sherlock Holmes ao Brasil para investigar o sumiço de um violino Stradivarius (raríssimo). É interessante porque você lê o livro inteiro e não desconfia em momento algum que o culpado é o dono da livraria (ops, hehe).

Exodus 1 e Exodus 2 - Leon Uris
Esses livros contam a história da Intifada, uma guerra entre judeus e árabes na Palestina, nos anos 50, quando foi criado o Estado de Israel. É interessante conhecer a história de um povo historicamente nômade que um dia resolveu invadir um território ocupado porque Moisés falou não sei quantos anos antes de Cristo que aquela era a terra prometida. Mas é interessante também porque conta como eles desenvolveram uma técnica agrícola que transforma banhado em terra fértil e como funciona um Kibutz, onde todos produzem e dividem tudo (o que prova que é um povo historicamente nômade).

O velho e o mar - Ernest Heminghway
Conta a história de um pescador solitário que sai para o mar, fisga um peixe muito grande e ambos passam a lutar pela sobrevivência (o peixe para sair vivo e o pescador para não morrer de fome). Achei interessante quando li, mas deixou de sê-lo quando percebi que celebridades pseudo-intelectuais o citam como referência da mesma forma que candidatas a miss citam "O pequeno príncipe".

Chatô, o rei do Brasil - Fernando Morais
É a biografia do Assis Chateaubriand, uma aula de história. Conta como uma cara pobre do sertão nordestino se tornou o rei da imprensa no Brasil. O cara era um blefe, mas sem dúvida contribuiu muito com as telecomunicações e o progresso da imprensa brasileira. Sei não, mas devia ser o ídolo do Roberto Marinho.

O centauro no jardim - Moacyr Scliar
Imagine um centauro nascido no bairro de Belém Novo, em Porto Alegre. Pois é. Enquanto era apenas um descampado pouco habitado, tudo bem. Mas o cara era inteligente, não queria ficar escondido o resto da vida. Gostaria de saber como se faz para ter uma mente criativamente fantasiosa como o Moacyr Scliar. Tudo de bom! OBS: eu li também "O exército de um homem só". É tão complicado que não consegui resumí-lo em poucas palavras.. mas é muito bom.

O Quinze - Rachel de Queiroz
Conta a história de uma família de retirantes nordestinos durante uma forte seca. A família segue a pé para a capital após constatar que não havia mais comida, água e condições de produzir. Durante a jornada lutam para manterem-se vivos, especialmente os filhos. É comovente, trágico, lindo. Poderia ser uma história qualquer, não fosse ela escrita pela Rachel de Queiroz.

Cem anos de solidão - Gabriel García Márquez
Esse é o meu xodó. Não, não conta a história de uma solteirona que aos 100 anos encontra o amor em um velhinho de 80. Conta a história da família Buendía, que tem altos e baixos assim como o local onde vivem. É tão envolvente que o próprio Gabo (sim, ficamos íntimos) não conseguia terminar de escrevê-lo e chorava cada vez que um personagem tinha que morrer. Esse eu quero reler, reler e reler, assim como todos os livros do meu escritor preferido.

Dentre tantos que já li, escolhi esses para a Frã. Mas, como ninguém é perfeito, eu também não passei imune à "Pollyana Menina", "Pollyana Moça", "Brida", "As Valkírias", "O Diário de um Mago". Até "O Livro dos Espíritos" eu li! Mas fui salva a tempo pela razão (com todo o respeito, é claro). Mas se tem um livro que me orgulho de nunca ter lido é "Violetas na janela". Pelamor.


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  • Postado em 16:38:02

29.02.08

A interessante complexidade do ser

O ser humano em geral tem uma mente complicada. Mas o ser humano que exercita o cérebro, acredito, consegue ser mais esquisito do que um retardado (no sentido pejorativo da palavra).
Veja bem, a gente sabe o que esperar do retardadado no sentido pejorativo. Ele não tem opinião formada, não assiste telejornais (mas adora o "jo onse meia"), vive se gabando que livros servem para enfeitar a estante, gosta de revistas de moda ou mulher pelada porque tem bastante figurinhas, pode ser que freqüente os mesmos lugares que você, porém com objetivos diferentes (e isso pode incluir a universidade), entre outras coisas que não vou citar para não ser chamada de preconceituosa.
Já o cerebralmente exercitado é bem menos previsível. Eu, por exemplo, considero-me um desses exemplares e vejo que posso ser beeem flexível em relação a várias coisas. Detesto erros de português mas muitas vezes pego-me escrevendo várias vogais (vide parágrafo acima). Tenho pavor desses filmezinhos comerciais, especialmente as comédias, mas acordo cedo para assistir a final do Garota Verão e não gosto de perder o dia da eliminação do Big Brother (espaço reservado para suas exclamações). Acho insuportavelmente irritantes e nojentas essas músicas populares de hoje em dia (sertanejas, bandinhas, forró, pagode, calipso, funk, qualquer coisa que fale em rachada, perseguida, pirigueti, festa privê, no apê ou algo do gênero), mas confesso que tenho um lado brega que gosta de algumas músicas que não vêm ao caso (tenho segredos inconfessáveis). Critico muito as coisas e as pessoas, mas sou tão exigente comigo mesma que não suporto críticas (porém, esse mesmo orgulho não me permite transparecer o desgosto). Odeio todo e qualquer tipo de futilidade, mas quando estou na sala de espera sempre procuro uma Caras (ninguém é perfeito, né gente).
Daria para escrever várias páginas sobre esse ser cheio de paradoxos (graças a deus protegido por 3 meninges) que habita minha calota craniana. Mas também não gosto de escrever muito e encher um texto de detalhes, mesmo quando esse texto revela vários detalhes (talvez nada interessantes) sobre mim.

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  • Postado em 11:55:07

23.01.08

Só querer cuidar, te proteger, esquecer, lembrar..

Eu tava pensando hoje na Frã, lembrando das coisas da nossa infância. Eu sempre fui muito moleca, teve uma época que eu nem sabia como andar de chinelo. Um dia estava lá na frente de casa e ela tinha que passar por lá para ir embora. Quando ela passou eu chamei e convidei para brincar. Sabe o que ela me disse? Não posso, daqui a pouco vai começar a novela. A Frã era assim... acho que o sonho dela era ser adulta. Ela estudava muito, era caprichosa, tinha um quarto e um banheiro só para ela.
Mas tinha dias também que a Frã endoidava. Queria entrar naquele rio imundo que tinha perto da nossa casa pra pegar girinos. Um dia ela apareceu lá em casa para me chamar para brincar. Para chegar na casa dela, tínhamos que passar por uma oficina, que estava cheia de gente.. plim! a Frã teve uma idéia. Fomos para casa, vestimos as roupas pelo avesso e ficamos passando na frente da oficina para ver se nos chamavam de loucas. Nem precisava né?
Eu vou pular o capítulo das comparações porque isso ainda não está bem resolvido na minha vida, hehehe.
A gente passou por tantas coisas... tirando o dia em que ela entrou em alta velocidade na perimetral e ficamos alguns minutos rodopiando dentro do carro, posso dizer que todos os momentos foram bons.
Mas a Frã ainda me surpreende. No dia da minha formatura eu dormi no apê dela. A tal da ressaca no dia seguinte me fez esquecer os brincos em cima da mesa. Eu nem tinha percebido, mas a Frã me deixou um recado no orkut dizendo que os brincos estavam lá. Passado um mês, tinha a formatura da Renata. Daí eu deixei um recado no orkut da Frã dizendo que lembrei dela por causa dos brincos. Sabe o que ela respondeu? "Aiiii, era teu!!!! Eu vi um lá... lindo e esqueci que era teu. Pedi p/ Mãe, Gabi e Bê se era delas. Caracas... sou muito distraída!!!! Te entrego quando for aí. Prometoooooooooo! bjooooooo." Assim mesmo, com todas essas exclamações e vogais repetidas.
Posso dizer que a nossa amizade é bem peculiar. Quando éramos crianças ela era a única amiga com a qual eu tinha coragem de brigar. Hoje é a única que me deixa com medo. Eu não tenho coragem de contar tudo pra ela. Vou contando aos poucos, até porque nunca conseguimos pôr o papo em dia quando nos encontramos.
Eu acordei pensando nela hoje, não tinha nada para fazer e fiquei lembrando dessas coisas. É bom né?



                                                              ****


Luiz... hoje você me falou exatamente o que eu precisava ouvir. Como você adivinhou?

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  • Postado em 14:59:03

07.12.07

Já não há mais diferença entre a raiva e a razão.

Cara, eu to perdendo a razão. Que coisa séria. Eu achei que meu ultra-controlator tabajara tava funcionando, mas acho que era do Paraguai.
Esses dias a Mariângela me mandou um e-mail pedindo que eu escrevesse no blog colocando a boca no mundo porque ela estava com muita raiva e precisava ler. Só que eu estava tão tranqüila que escrevi um post que não estava à altura para publicar e fiquei devendo essa pra amiga Mari.
Ah, mas agora quem está precisando escrever sou eu e eu não posso me deixar na mão porque estou ficando egoísta.


Bom, enfim, o meu velho problema em não aceitar notas está me atormentando de novo. Eu estou completamente descontrolada porque tirei 8,5 no tcc. 8,5. Oito e meio. Oito e cinco. Oitenta e cinco. Aaaahhhhhh, que raiva. Desde ontem à noite, quando soube da nota, eu estou chorando descontroladamente. Eu não estou conseguindo trabalhar, tenho que ir toda hora ao banheiro lavar o rosto e contar até 85. A prô Márcia disse que eu não preciso me preocupar com a nota porque o que mais importa é o currículo e no meu currículo está uma indicação a prêmio pelo mesmo trabalho. Mas a raiva é tanta que está se sobrepondo à razão. Eu não consigo pensar assim. Não que eu ache que a banca tenha que avaliar quantas noites eu passei em claro fazendo o tcc, ou quantas vezes eu chorei porque não havia pacientes o suficiente para completar a pesquisa. Mas, peraí! Se tinha apenas algumas questões metodológicas para completar, essa nota não se justifica. E onde fica a importância científica do trabalho? Por que eu só encontrei estudos semelhantes na literatura estrangeira? Não aceito, não aceito, não aceito. Um 9 me deixaria contente. Mas um 8,5 jamais! Essa nota para mim significa um 'mais ou menos'. Eu tenho certeza que merecia pelo menos um 'bom'.
Eu sei que logo vou melhorar, esquecer tudo. Já estou tendo até ataques de riso no meio da choradeira. O Guto acha estranho eu chorar por causa disso. Até eu acharia há um ano atrás.
Cara, eu não sei porque entrei nessa faculdade. Eu estava quieta, na minha, pensando em terminar jornalismo. Quem é que me enfiou na cabeça essa história de fazer fono meudeus?


Ah... mas tem uma coisa que me deixou super feliz. A amiga Duda tirou 10! Dez. Cem. A nota máxima. Viva a Dudinha!

A propósito: alguém sabe quanto tirou o plágio?

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  • Postado em 10:29:48