Pensei várias vezes essa semana em escrever uma mensagem de fim de ano para mandar aos meus amigos, aquelas mensagens cheias de palavras bonitas, desejos de prosperidade e blábláblá. Desisti. Não que eu não queira desejar todas aquelas coisas maravilhosas aos amigos, mas se eu fosse escolher, desejaria a eles "qualidade de vida". Imagine: Querida amiga, estou passando pra te desejar um Feliz Natal e qualidade de vida no ano novo. Ficaria tão estranho que renderia um post.
Mas, analisando menos superficialmente (é que profundamente fica forçado, né?), quando você deseja qualidade de vida, deseja várias coisas maravilhosas que vêm junto no pacote. Eu gostaria muito que nenhum dos meus amigos precisasse levar o choque que eu levei para perceber que a vida é tão boa, que é tão simples ser feliz..
Enfim, o que eu quero desejar mesmo, é que você possa viajar quando tiver vontade, nem que seja para a cidade ao lado; possa ficar sozinho às vezes, mas que isso signifique paz e não solidão; possa ter alguém para amar, sem se preocupar com o 'felizes para sempre'; que tenha fé, mesmo que seja em si mesmo; que todos os dias ao acordar você possa sorrir para alguém, nem que seja para o espelho. E que você se lembre, todos os dias, que está vivo e, independente do seu estado de espírito, isso é o que importa.
Seja feliz!
Um dia você entrou na minha casa, me pegou no colo e disse ao meu pai que eu daria muito trabalho quando crescesse. Lembro disso como se fosse hoje porque a infância é uma época de inocência, que nos deixa boas lembranças apenas, porque estamos alheios à realidade mais cruel, aquela que a gente conhece só quando cresce e que nos apresenta as faces mais obscuras do ser humano.
Você saiu da minha casa um dia sem dizer tchau e hoje eu agradeço a sei lá o que por ter me privado dessa convivência pelo resto da minha vida.
Eu fui criada para ser humilde. Sou ambiciosa sim, mas minha ambição tem medidas, ela termina quando começa o respeito pelo outro. O que posso dizer de você? Eu fui criada para respeitar diferenças, sejam elas políticas, religiosas, esportivas ou gastronômicas. Esse meu respeito esbarrou um dia na sua cara de pau e eu não consegui ser mal educada, apenas me retirei, apesar da sua indescritível falta de educação.
Ontem, porém, eu percebi que você não se importa com valores. Valores são dispensáveis para quem almeja somente o poder, cada vez mais, cada vez maior. Isso o tornou uma pessoa inconveniente, violenta, desprezível.
A guerra civil a que nos submeteu nos últimos dias, a violência de sua milícia, seu discurso baixo, a raiva estampada na sua cara, explícita na sua voz... é esse o exemplo que você quer dar aos seus filhos?
Eu desejo, sim, que você consiga tudo o que quer. Suba o quanto puder, mas preocupe-se com o tombo.
E obrigada, caro deputado, por apresentar a minha cidade à bandidagem.
As coisas mudaram por aqui. Finalmente conseguimos reunir a família e os amigos de Tapejara, Ibiaçá, Ijuí, Itajaí e de tantos outros lugares onde você os conquistou. Ninguém tinha compromissos inadiáveis e a distância não foi pretexto. A tristeza de tantos “filés” só me fez sentir mais triste, solitária, desolada. Foi difícil ter que conversar, relembrar, ser gentil com as pessoas. Na verdade, tudo o que mais queria era poder me trancar no meu mundo de vez e esquecer tudo o que fosse.
As coisas estão diferentes. Falta o sorriso, a alegria, a simpatia. Mais do que isso, ficaram coisas a ser ditas, fatos a ser contados, confidências a ser compartilhadas. Nunca vi meu pai tão triste, minha mãe tão inconformada. Todos vieram e todos choraram.
A Larissa não consegue mais torcer pro Inter, o Guto se pergunta como você teve coragem de entrar em nossa vida, tomar conta e ir embora sem dizer nada. Seus colegas de trabalho não estão satisfeitos de ter que enfrentar o dia a dia sem suas brincadeiras, seu bom-humor. Sua família? Nem preciso dizer...
As crianças não gostaram, estão tristes demais. O Bernardo chorou muito, a Luísa faz de conta que você foi viajar e não consegue ficar sozinha em parte alguma.
Os dias seguintes foram cinzas e mesmo que fossem ensolarados eu não os veria assim. Tenho dormido tarde, acordado cedo e procuro assumir todas as responsabilidades que me são impostas para evitar a vontade que tenho de dormir, dormir e dormir.
Ainda estou procurando essa tal de força que todos acreditam que tenho e que não sei de onde tirar...
E essa minha falta de fé, essa descrença em tudo que seja irracional (e que você tanto criticava), não me permite acreditar em nenhuma explicação para essa tragédia e me faz pensar na incerteza que é a vida. Afinal, para que servem os planos, os objetivos, se não sei se poderei realizá-los?
As pessoas insistem em dizer que você cumpriu sua missão. Mas que missão é essa, se você nem sequer conseguiu dormir um domingo sem pensar nas contas que tinha a pagar durante a semana? Que missão é essa que não lhe permitiu desfrutar de uma das muitas viagens que planejamos, de construir nossa casa, de ver nossos filhos crescerem, de ver nossa vida melhorar?
Como eu gostaria de poder acreditar em qualquer coisa que pudesse me dar uma explicação, mesmo que dolorosa, para essa perda. Mas, para mim, a morte é o fim.
E se antes eu tinha um olho triste para escrever e um olho alegre para viver, o que farei agora com dois olhos tristes?
Tudo o que eu quero é sentir saudade.
Nossa, há quanto tempo eu não tinha uma gripe! Nem lembrava mais o quanto é chata uma pessoa com gripe: não deixa os outros dormirem, fica o tempo todo com aquela cara de "oh, meu deus, eu estou ouvindo minha própia voz!", o nariz assado e outras coisas mais.
Nessas horas a gente lembra como é bom respirar pelo nariz, ter a cavidade oral úmida e cheirosa e que o reflexo da tosse é importante, mas tossir demais dói pra caramba.
Menos abonado nesses casos é quem tem sinusite. Que triste acordar de manhã com uma narina trancada e a outra escorrendo! Pior: com uma dor aguda que se estende da raíz do primeiro molar até a raíz dos cabelos. Ai, como dói.
Seria tão mais fácil se eu pudesse usar um daqueles remedinhos de pingar no nariz... mas o meu organismo sensível e alérgico reage cruelmente ao cloreto de sódio, princípio ativo dessas gotinhas milagrosas. Prefiro ficar com a dor aguda que se estende da raíz do primeiro molar até a raíz dos cabelos.
Mas hoje aconteceu uma coisa engraçada: eu li o horóscopo, hehe. E sabe o que dizia? "A semana começa com muita disposição física, que pode ser aplicada nos seus projetos. Poucos acontecimentos sociais importantes".
Veja bem: hoje eu acordei com a disposição de uma tartaruga na hora do rush. E que acontecimentos sociais poderiam ocorrer numa segunda feira, numa cidade de 16 mil habitantes, com a temperatura beirando os 8 graus? O que será que esse tal de zodíaco andou fazendo ontem, hein?!
Quando as coisas começaram a quebrar lá em casa, eu nem imaginava que a culpa era da nuvenzinha preta que me acompanhava há dias. Ela tava ali bem em cima da cabeça e se movimentava sempre na direção dos meus passos. Saldo: uma empregada demitida, um ferro elétrico queimado, uma máquina de lavar estragada, um chuveiro que não esquenta e um tanque entupido. Ah sim, a porta do armário da sala caiu em cima da cabeça da Laurinha. Essa sucessão de pequenas mini tragédias estragaram alguns dos meus dias, até que resolvi reagir. De repente comecei a achar tudo engraçado, as coisas melhoraram e as pessoas lá de casa ficaram mais felizes.
Eu sei: não se deixar levar pelos maus pensamentos é melhor, mas que bom se a gente pudesse escolher né? Mas é possível, sim, mudar de atitude diante das coisas que acontecem em nossa vida. Certamente eu já fui muito pior, mas a convivência com pessoas positivas, as cobranças dessas pessoas diante de minhas reações e a mente aberta para novas experiências me tornaram uma pessoa mais calma, serena, sorridente.
A Fernanda reclamava que eu não ria das coisas. Eu achava as coisas engraçadas, mas não sentia necessidade de rir. Só me dei conta disso depois que ela pegou no meu pé.
Mas o importante é que eu continuo achando engraçado o fato de ganhar menos de dois salários mínimos por mês, sendo que deste salário sobram menos de R$ 10,00 para meus gastos pessoais, que atualmente não incluem mais roupas em geral, roupas íntimas ou outros objetos de desejo de qualquer mulher que tenha um pingo de vaidade. Não freqüento manicure, ficando esta tarefa delegada a mim nos sábados à tarde, mas continuo rindo. Não pinto o cabelo há 4 anos, mas este gasto voltarei a ter em breve, mesmo achando super engraçado não conseguir mais disfarçar os fios de cabelos brancos. Quando sobra um troquinho a mais, me dou ao luxo de comprar o hidratante corporal de R$ 6,00 que é o único que minha pele frágil e alérgica permite usar. Não é engraçado?
Pois é, mas o mais engraçado de tudo é a comédia da minha vida pessoal. Uma piada que poucos conhecem, mas se todos conhecessem talvez entenderiam porque eu vivo com esse sorriso enorme estampado na cara.