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Terra Blog

Arquivo de: Outubro 2007

24.10.07

De tanto rir e chorar, sei lá...

Eu morro de vontade de rir de mim de tanto que eu choro. Mas eu só choro sozinha, quando estou na frente dos outros quase morro de vergonha.
Hoje de tarde eu lembrei de uma coisa muito engraçada que aconteceu comigo. No começo do namoro, o Kiko resolveu levar um filme para a gente ver lá em casa com a família. Aí ele levou “A vida é bela”, aquele do Roberto Benini que conta a história de um pai que tenta esconder a todo custo do filho que eles estão presos num campo de concentração. Eu não tinha vontade de ver esse filme porque falavam que era sobre o holocausto e eu tenho uma teoria sobre isso que não me permite assistir filmes sobre o assunto. Mas como eu poderia dizer não a um agrado do meu namorado? Começamos a ver aquele filme comovente e eu comecei a olhar para os lados porque, afinal, como eu iria chorar na frente do meu namorado na primeira vez que ele aparece na minha casa? Que sufoco... Mas eu não chorei. Aliás, ninguém chorou. Somos muito frios lá em casa, hahahahahaha.
Anos depois, quando eu estava no final da gravidez da Luísa, não conseguia dormir e liguei a TV. Comecei a trocar de canal e estava para começar um filme: A vida é bela. Era umas 3h. Aí eu comecei a chorar. Chorei até o final do filme e mais um pouco porque eu não conseguia mais respirar e fiquei um pouco desesperada.

                                                                      *


Eu sou assim com os filmes. Tem alguns que me fazem chorar e assisto várias vezes chorando. As amigas mais íntimas acham que eu sou estranha, afinal, quem choraria do início ao fim assistindo “O casamento de Muriel”? A Paula, aquela que nunca sonhou em casar e acha um absurdo jurar amor eterno na frente de um padre usando véu e grinalda.
Hoje eu marquei um compromisso e levei um bolo. Já que não fui à aula e não tinha nada para fazer (entre aspas), liguei a TV. Estava passando “De volta à Lagoa Azul”. Comecei a prestar atenção ao filme e comecei a chorar. Pode até parecer absurdo, mas enxerguei naquele filme coisas que a gente geralmente não percebe. O filme é uma merda, uma porcaria que passa sempre na sessão da tarde. Mas aborda várias coisas que são muito presentes na vida de todos. Aí eu pensei: por que temos que perder a inocência, deixar de viver coisas que sempre nos permitimos por que a vida tem que seguir do jeito que o senso comum exige?
A minha mãe sempre fala que tem pena das meninas que um dia não serão mais meninas. Vendo uma cena do filme, lembrei do dia em que assisti “A Lagoa Azul”. Eu era muito criança e assitimos eu, minha mãe, uma vizinha e o namorado dela. Eu não entendi muitas coisas que um dia a moça que trabalhava lá em casa me contaria. Hoje lembrei disso e percebi que é muito melhor ser criança do que precisar entender tudo isso.

                                                                    *


Sim, as coisas estão complicadas pro meu lado. Mas ao mesmo tempo em que penso que está difícil, me culpo por ser tão egoísta pensando que os meus problemas são os piores. Afinal, por que é tão difícil pedir demissão se eu tenho saúde para trabalhar? Que falta me faz uma faxineira se não faltar nada para os meus filhos? O que vale uma nota para alguém que acredita ter potencial para assumir uma nova profissão? O que está te faltando Paulaaaaa?

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  • Postado em 23:26:20

23.10.07

Sonhos mofados

Quando eu tinha 9 anos participei da primeira excursão da minha vida. Lembro como se fosse hoje o quanto planejamos a viagem: íamos conhecer Gramado e Canela. Um dia antes tava tudo pronto. A mala arrumada com as roupas mais bonitas (até ganhei uma nova) e cheia de comida (aquelas porcarias que a gente leva em viagens). Chovia tanto que pensei: essa noite vou dormir bem. Passei o dia ligando para as amigas, combinando como seria e tal. Porém... choveu. E muito. E caiu uma barreira na serra. E nós tivemos que adiar a excursão. E ficamos sabendo disso às 9h da noite. Ai, como eu chorei. Que raiva. Mal sabia eu quantas vezes ainda iria a Gramado na vida (sabe Mari, a tal história da professorinha é baseada em fatos reais, hehe).

 

                                                               *



Percebo que as coisas que acontecem na minha vida sempre me remetem a algo acontecido na infância. Quando foi confirmada a realização do Congresso Internacional de Fonoaudiologia em Gramado, fui logo fazer a inscrição. O congresso era em outubro e as inscrições (mais baratas) até julho. Passei alguns meses de ansiedade esperando o dia de viajar e quando chegou perto comecei a pensar poderia dar algo errado e eu teria que ficar. Mas deu tudo certo.

 

                                                                  *



Sobre voltar de viagem, posso dizer que foi ao mesmo tempo bom e assutador. Tantos dias longe e tinha até esquecido que tinha que trabalhar. Não que eu seja preguiçosa, muito pelo contrário, gosto de estar sempre ocupada. Acontece que há muito tempo não gosto mais do meu emprego, que mantenho porque preciso. To empurrando com a barriga há mais de um ano, mas isso não significa que esteja relaxando, não mesmo, mas para as coisas ficarem bem feitas tenho sido exigente demais comigo. Essa exigência vem desde a infância, por isso acho que fico muito frustrada quando meu esforço é desprezado (mas não vamos falar em notas novamente, hehe). Quem dera se eu pudesse me livrar pra sempre de mim mesma! Sobraria mais espaço para ser feliz.

Bom, voltei decidida a abandonar o que fosse preciso para, enfim, realilzar os meus sonhos, sempre adiados por uma coisa ou outra. Depois de tudo resolvido em mim, decisões e mudanças prontas para serem colocadas em prática, eis que surge uma decepção muito grande, muito mesmo, que despertou em mim o que chamo de "desespero vermelho de um apocalipse luminoso". É aquela coisa sabe: a gente fica a vida inteira esperando e quando chega a hora bate um "sei lá, esperei até agora, vou esperar mais um pouco".


E os meus sonhos lá no fundo do baú, mofados.

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  • Postado em 15:02:05

14.10.07

As manias da Paula

Semana passada eu estava na aula observando o atendimento de uma colega e comecei a pensar em certas manias que as pessoas têm. Eu, por exemplo, tenho mania de pensar muito, especialmente em momentos como esse: eu atrás de um espelho observando minha colega fazer uma coisa que eu já vi várias vezes.
Enfim, pensando sobre isso percebi que não sou uma pessoa simples e básica como sempre achei, muito pelo contrário, sou cheia de manias. É tão difícil enumerá-las que decidi fazer isso em tópicos.
Mania de escrever em tópicos: isso é culpa da tal objetividade. Escrever em tópicos me permite discorrer melhor sobre o assunto, dá para explorar de forma mais completa cada tópico. Essa tal objetividade que tanto me ajudou na faculdade de jornalismo, agora está me atrapalhando na faculdade de fonoaudiologia. Mas eu jamais deixarei de ser objetiva, odeio enrolations.
Mania de limpeza: bom, esse tópico dispensaria comentários. Porém, a minha mania de limpeza é praticamente um transtorno obsessivo compulsivo. Um exemplo é que eu não consigo sentar para fazer qualquer coisa se percebo que algo está sujo na minha casa. Ah, sim... na minha casa. Na casa dos outros eu não fico reparando, a não ser que a coisa esteja muito feia mesmo.
Mania de organização: bom, essa é, com certeza, um transtorno obsessivo compulsivo. Só para ilustrar: uma noite eu organizei a casa antes de dormir, porque dormir com a casa desorganizada é praticamente impossível para mim. Quando finalmente deitei na cama, comecei a pensar onde tinha deixado minhas botas, mas não conseguia visualizar. Aí me lembrei que as botas não estavam no lugar. Pior: elas não estavam alinhadas, uma do lado da outra, pé direito do lado do pé esquerdo, ambos os pares virados para o mesmo lado. Quem disse que eu conseguia dormir? Nada... tive que levantar e arrumar as botas. Dias depois, estava assistindo Friends e aconteceu a mesma coisa com a Mônica. Pode? E eu que achava ela neurótica...
Mania de dormir tarde: dormir às 22h? Utopia. Nem pensar. A não ser que você queira que eu acorde deprimida. Agora estou conseguido dormir lá pela 1h, porque estava um pouco difícil dormir às 3h30 e acordar às 5h30 para ir trabalhar. Mas não vejo a hora de me formar e poder dormir às 3h30 de novo.
Mania de acreditar: eu ainda acredito que as pessoas são sinceras e verdadeiras. Afinal, por que uma pessoa falaria algo para mim, de livre e espontânea vontade, se não é o que ela pensa? Eu acredito mesmo e talvez essa mania seja responsável pelo maior número de decepções da minha vida. As que eu tive e as que ainda terei. Eu tenho consciência de que isso pode acontecer, mas o meu jeito de ser - sincero e verdadeiro - não me permite acreditar na prevalência da má-fé.
Mania de silêncio: eu poderia deixar que o silêncio fosse meu pior inimigo, mas prefiro que ele seja meu melhor amigo. Muitas vezes tive raiva de mim por permanecer em silêncio em certos momentos. Mas sempre acabo convencida de que o silêncio, muitas vezes, é a melhor resposta.
Mania de solidão: eu preciso disso. Se tivesse que escolher entre ficar sozinha e comer, certamente escolheria ficar sozinha. Eu tenho lutado muito para ter momentos de paz, desligar o telefone e saber que ninguém vai me cobrar por estar desligado, passar a tarde no quarto vendo TV sem me preocupar com trabalhos de aula, sair para caminhar na rua sem ninguém ficar me ligando querendo saber onde estou, porque, quando, como.
Mania de observar: tudo e todos. Já passei por cada constrangimento... é que eu gosto de observar principalmente as pessoas. Eu fico olhando e imaginando onde elas moram, o que fazem, se são felizes ou não, que tipo de preocupações têm, se estão sentindo alguma dor, se são casadas ou solteiras, se têm filhos ou não, se têm carro ou não, se têm pai e mãe ou só um dos dois, que horas acordam de manhã, se gostam de sair ou ficar em casa... nossa, tem tantas coisas. Eu faço isso com as casas também. Sempre fico imaginando como é morar em tal lugar, prós e contras, se é aconchegante, se dá trabalho, essas coisas. Mas sabe como é... eu também me sentiria estranha se estivesse num lugar e uma louca ficasse me olhando o tempo todo. Já fui até xingada por causa disso.
Mania de querer bem: eu amo as pessoas e quero que todas estejam bem sempre. E cada conquista de um amigo, conhecido ou alguém que só ouvi falar me deixa muito feliz.
Putz.. achei que conseguiria enumerar todas. Acho que vou dividir em capítulos, hehehe.

 

                                                                   *



Gentes: eu quero mais torcida. Dessa vez não vou concorrer a nada, mas vou apresentar meu trabalho em Gramado, no congresso de fono. Sabe né... essas coisas costumam deixar as pessoas nervosas, hehe. Vai dar tudo certo.

Para finalizar este post, vou colocar um verso do Fernando Pessoa que está na epígrafe do meu TCC e fala sobre outra mania da Paula: querer sempre buscar o impossível.

 

                                                         *


Não quero rosas, desde que haja rosas.
Quero-as só quando não as possa haver.
Que hei-de fazer das coisas
Que qualquer mão pode colher?


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  • Postado em 23:33:31

08.10.07

Santa ignorância!

No meio de tantas alegrias e boas notícias, tive que ouvir uma história no fim de semana que me deixou com uma certa dose de raiva. Aliás, uma dose bem reforçada.
Eu sempre acreditei no amor de mãe, aquele amor incondicional que leva uma mãe a amarrar um filho pra evitar que use drogas ou se jogar num poço mesmo sem saber nadar para salvar o filho que também não sabe nadar. Sei que existem mães que não sabem ou não costumam demonstrar seu amor, mas isso não significa que não amem seus filhos. Outras ainda maltratam seus filhos, mas sabe-se que na maioria das vezes não são amorosas devido às circunstâncias, nem sempre favoráveis.
Ontem eu estava conversando com um amigo antes do almoço e estávamos comentando sobre o fim de semana. Contei para ele minha noite de sábado, ele me contou sobre a noite dele, rimos muito e tals. Aí ele contou que chegou em casa de manhã, depois da noite de festa, e foi nos fundos de sua casa fumar um cigarro. Ele estava conversando com alguém no celular quando sua mãe chegou, pegou o cigarro e o apagou na mão dele. Veja bem: ela apagou o cigarro na mão do próprio filho! Isso aconteceu perto das 8h. Logo depois, ele teve a nobreza de sentar ao lado dela e acariciar seu cabelo. Mas ela mandou ele parar. Isso me deixou com tanta raiva que fui obrigada a me levantar e me afastar por uns minutos daquela mãe que estava no mesmo lugar que eu para evitar de criar uma confusão e acabar com o domingo de todas as pessoas que estavam lá.

Vocês podem pensar que esse menino deve ter dado motivos para a atitude da mãe. Pode ser que algumas pessoas não consigam conviver com certas escolhas, que nem sempre são escolhas, nem opção e muito menos doença. Mas ela é a mãe dele, tem que aceitá-lo e amá-lo do jeito que é. Ele não é viciado em drogas, nem alcoólatra, nem ladrão, nem mau-caráter. Talvez ela pense nisso no dia em que acabar sozinha, porque tanta amargura só serve para afastar as pessoas.
Ah, sim... esqueci de comentar que esse não foi um fato isolado. Ela tem feito muitas coisas ruins. Uma delas é nunca deixar que o filho visite a família. Ele estuda em outra cidade e há seis meses não voltava para casa. E ela não queria que ele viesse.

Dai-me paciência! Porque minha tolerância acabou.

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  • Postado em 09:08:03

04.10.07

Se as coisas são inatingíveis...

Ora! Não é motivo para não querê-las. Que tristes os caminhos se não fora a mágica presença das estrelas..

Hoje foi um grande dia. Talvez o mais importante desse ano ou da minha vida, dependendo do resultado da apresentação. Eu to tão feliz! Fiquei tranqüila, respondi às perguntas da banca, o carinha que tava apresentando e também era da banca achou o trabalho importantíssimo e tals... fiquei satisfeita com os resultados.
Acho que o que mais me deu segurança, além do domínio do assunto – meu deus, eu sei aquilo de trás para frente - foi a torcida de muitas pessoas que me mandaram e-mails, recados no orkut, mensagens no celular... esse carinho é tão bom! Estou consciente de que havia trabalhos muito bons e dentre os quesitos avaliados talvez eu não seja uma das melhores. Mas a indicação, para mim, já valeu muito mais do que os R$380 do prêmio.
Como tenho uma certa restrição a respeito de pensamentos positivos, vou pedir que todos continuem torcendo, porque o resultado sai amanhã (ou seria hoje?) às 11h15min. Não que eu tenha a pretensão de ganhar o prêmio, mas se ganhar melhor, né? hehehe.

 

                                                                 *



Ontem à noite, antes de dormir, excluí do meu MP3 todas as músicas que me lembram coisas que pudessem me desconcentrar. Salvei só as que eu mais gosto, as que me deixam feliz, que trazem boas lembranças. Entre elas, o último CD do Lobão, que ficou muito bom, vale a pena ouvir mesmo. Eu sou suspeita de falar, afinal, o Lobão foi a segunda referência musical da minha vida (a primeira foi a Irmã Irma, mas as músicas dela só falavam em Santa Júlia e girassóis). Aquelas músicas tristes me deixam feliz e o CD é acústico, o que me deixa mais feliz ainda. Eu só trocaria ele pelo Zeca Baleiro, que se cantar no meu ouvido “me dê a mão, vamos sair pra ver o sol”, eu caso!

                                                                     *


Estou numa fase muito boa. Tenho até medo de tanta felicidade. Acho que estou aprendendo a ver as coisas pelo lado positivo, talvez porque tenho tido apoio de muitas pessoas, especialmente nos assuntos relacionados à aula, que ocupa a maior parte do meu dia e do meu cérebro. Alguns dizem que eu sou impulsiva e desbocada. Eu diria que sou justa.


Bom, em homenagem a isso, hoje vou plagiar o Mário Quintana: não te irrites, por mais que te fizerem. Estuda, a frio, o coração alheio. Farás, assim, do mal que eles te querem, teu mais amável e sutil recreio.

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  • Postado em 00:35:11