Cara, eu to perdendo a razão. Que coisa séria. Eu achei que meu ultra-controlator tabajara tava funcionando, mas acho que era do Paraguai.
Esses dias a Mariângela me mandou um e-mail pedindo que eu escrevesse no blog colocando a boca no mundo porque ela estava com muita raiva e precisava ler. Só que eu estava tão tranqüila que escrevi um post que não estava à altura para publicar e fiquei devendo essa pra amiga Mari.
Ah, mas agora quem está precisando escrever sou eu e eu não posso me deixar na mão porque estou ficando egoísta.
Bom, enfim, o meu velho problema em não aceitar notas está me atormentando de novo. Eu estou completamente descontrolada porque tirei 8,5 no tcc. 8,5. Oito e meio. Oito e cinco. Oitenta e cinco. Aaaahhhhhh, que raiva. Desde ontem à noite, quando soube da nota, eu estou chorando descontroladamente. Eu não estou conseguindo trabalhar, tenho que ir toda hora ao banheiro lavar o rosto e contar até 85. A prô Márcia disse que eu não preciso me preocupar com a nota porque o que mais importa é o currículo e no meu currículo está uma indicação a prêmio pelo mesmo trabalho. Mas a raiva é tanta que está se sobrepondo à razão. Eu não consigo pensar assim. Não que eu ache que a banca tenha que avaliar quantas noites eu passei em claro fazendo o tcc, ou quantas vezes eu chorei porque não havia pacientes o suficiente para completar a pesquisa. Mas, peraí! Se tinha apenas algumas questões metodológicas para completar, essa nota não se justifica. E onde fica a importância científica do trabalho? Por que eu só encontrei estudos semelhantes na literatura estrangeira? Não aceito, não aceito, não aceito. Um 9 me deixaria contente. Mas um 8,5 jamais! Essa nota para mim significa um 'mais ou menos'. Eu tenho certeza que merecia pelo menos um 'bom'.
Eu sei que logo vou melhorar, esquecer tudo. Já estou tendo até ataques de riso no meio da choradeira. O Guto acha estranho eu chorar por causa disso. Até eu acharia há um ano atrás.
Cara, eu não sei porque entrei nessa faculdade. Eu estava quieta, na minha, pensando em terminar jornalismo. Quem é que me enfiou na cabeça essa história de fazer fono meudeus?
Ah... mas tem uma coisa que me deixou super feliz. A amiga Duda tirou 10! Dez. Cem. A nota máxima. Viva a Dudinha!
A propósito: alguém sabe quanto tirou o plágio?
mudam de sinceridade, nada mais.
Fazendo uma avaliação superficial, curta e grossa desse ano, posso dizer que foi o ano da desilusão. Ô porcaria. Por que será que a gente tem que aprender que certas coisas não existem? Às vezes fecho os olhos e tento me convencer: "as coisas não são bem assim Paulinha, veja pelo lado bom!". Mas está difícil, eu não sou muito "convencível", hehe.
Ontem depois de mais uma discussão idiota por causa de uma besteira mais idiota ainda, concluí que, apesar de acreditar que a melhor coisa que aprendi na vida foi ser sincera, não é aconselhável falar sempre o que penso e essa foi a desilusão mais dolorosa de todas. Eu já passo muito tempo sozinha. No meu trabalho preciso escolher muito bem as palavras e nem sempre posso expressar minha opinião, já que reflete a opinião da empresa. Na aula tenho que medir as palavras porque na fono até as paredes têm ouvidos (cara, adorei esse trocadilho, hehe). Em casa tenho tido muito cuidado porque várias vezes fui mal interpretada, porque quando uma pessoa decide que vai ouvir algo, ela ouve exatamente o que quer.
Eu nunca gostei de ter que chegar para falar com alguém tendo que escolher as palavras. Eu tinha uma amiga assim na infância: tudo o que eu falava tinha uma mensagem subliminar. Acabei me afastando dela e é o que eu tenho feito a vida inteira com pessoas assim. Mas agora não posso me afastar de casa, do trabalho, da faculdade. Ô porcaria.
Outra coisa chata que aprendi é que por mais que a gente cresça, continua a ter que dar explicações, prestar contas para alguém, dar satisfações. Ahh, que vontade de desligar o celular, trancar a porta, ficar offline! Mas quantas explicações teria que dar depois! E tendo que medir as palavras ainda! Ô porcaria. Um dia eu me canso dessa vida, saio batendo a porta, chuto o pau da barraca, meto a cara no mundo e grito FODA-SE.
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Bom, meu blog estava abandonado e hoje eu ia contar uma coisa muito engraçada, mas tive que dar uma desabafada, hehe.
Ah sim, amanhã, às 14h, apresento o TCC. Acho que vai dar tudo certo, afinal foi muito esforço para dar errado agora. Minha banca é fodona, duas profes muito objetivas, contundentes e imparciais. Minhas orientadoras também são fodonas. E eu vou dar um show porque eu também sou fodona. (ta, deixa eu ser feliz um pouco, hehe).
Eu morro de vontade de rir de mim de tanto que eu choro. Mas eu só choro sozinha, quando estou na frente dos outros quase morro de vergonha.
Hoje de tarde eu lembrei de uma coisa muito engraçada que aconteceu comigo. No começo do namoro, o Kiko resolveu levar um filme para a gente ver lá em casa com a família. Aí ele levou “A vida é bela”, aquele do Roberto Benini que conta a história de um pai que tenta esconder a todo custo do filho que eles estão presos num campo de concentração. Eu não tinha vontade de ver esse filme porque falavam que era sobre o holocausto e eu tenho uma teoria sobre isso que não me permite assistir filmes sobre o assunto. Mas como eu poderia dizer não a um agrado do meu namorado? Começamos a ver aquele filme comovente e eu comecei a olhar para os lados porque, afinal, como eu iria chorar na frente do meu namorado na primeira vez que ele aparece na minha casa? Que sufoco... Mas eu não chorei. Aliás, ninguém chorou. Somos muito frios lá em casa, hahahahahaha.
Anos depois, quando eu estava no final da gravidez da Luísa, não conseguia dormir e liguei a TV. Comecei a trocar de canal e estava para começar um filme: A vida é bela. Era umas 3h. Aí eu comecei a chorar. Chorei até o final do filme e mais um pouco porque eu não conseguia mais respirar e fiquei um pouco desesperada.
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Eu sou assim com os filmes. Tem alguns que me fazem chorar e assisto várias vezes chorando. As amigas mais íntimas acham que eu sou estranha, afinal, quem choraria do início ao fim assistindo “O casamento de Muriel”? A Paula, aquela que nunca sonhou em casar e acha um absurdo jurar amor eterno na frente de um padre usando véu e grinalda.
Hoje eu marquei um compromisso e levei um bolo. Já que não fui à aula e não tinha nada para fazer (entre aspas), liguei a TV. Estava passando “De volta à Lagoa Azul”. Comecei a prestar atenção ao filme e comecei a chorar. Pode até parecer absurdo, mas enxerguei naquele filme coisas que a gente geralmente não percebe. O filme é uma merda, uma porcaria que passa sempre na sessão da tarde. Mas aborda várias coisas que são muito presentes na vida de todos. Aí eu pensei: por que temos que perder a inocência, deixar de viver coisas que sempre nos permitimos por que a vida tem que seguir do jeito que o senso comum exige?
A minha mãe sempre fala que tem pena das meninas que um dia não serão mais meninas. Vendo uma cena do filme, lembrei do dia em que assisti “A Lagoa Azul”. Eu era muito criança e assitimos eu, minha mãe, uma vizinha e o namorado dela. Eu não entendi muitas coisas que um dia a moça que trabalhava lá em casa me contaria. Hoje lembrei disso e percebi que é muito melhor ser criança do que precisar entender tudo isso.
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Sim, as coisas estão complicadas pro meu lado. Mas ao mesmo tempo em que penso que está difícil, me culpo por ser tão egoísta pensando que os meus problemas são os piores. Afinal, por que é tão difícil pedir demissão se eu tenho saúde para trabalhar? Que falta me faz uma faxineira se não faltar nada para os meus filhos? O que vale uma nota para alguém que acredita ter potencial para assumir uma nova profissão? O que está te faltando Paulaaaaa?
Quando eu tinha 9 anos participei da primeira excursão da minha vida. Lembro como se fosse hoje o quanto planejamos a viagem: íamos conhecer Gramado e Canela. Um dia antes tava tudo pronto. A mala arrumada com as roupas mais bonitas (até ganhei uma nova) e cheia de comida (aquelas porcarias que a gente leva em viagens). Chovia tanto que pensei: essa noite vou dormir bem. Passei o dia ligando para as amigas, combinando como seria e tal. Porém... choveu. E muito. E caiu uma barreira na serra. E nós tivemos que adiar a excursão. E ficamos sabendo disso às 9h da noite. Ai, como eu chorei. Que raiva. Mal sabia eu quantas vezes ainda iria a Gramado na vida (sabe Mari, a tal história da professorinha é baseada em fatos reais, hehe).
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Percebo que as coisas que acontecem na minha vida sempre me remetem a algo acontecido na infância. Quando foi confirmada a realização do Congresso Internacional de Fonoaudiologia em Gramado, fui logo fazer a inscrição. O congresso era em outubro e as inscrições (mais baratas) até julho. Passei alguns meses de ansiedade esperando o dia de viajar e quando chegou perto comecei a pensar poderia dar algo errado e eu teria que ficar. Mas deu tudo certo.
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Sobre voltar de viagem, posso dizer que foi ao mesmo tempo bom e assutador. Tantos dias longe e tinha até esquecido que tinha que trabalhar. Não que eu seja preguiçosa, muito pelo contrário, gosto de estar sempre ocupada. Acontece que há muito tempo não gosto mais do meu emprego, que mantenho porque preciso. To empurrando com a barriga há mais de um ano, mas isso não significa que esteja relaxando, não mesmo, mas para as coisas ficarem bem feitas tenho sido exigente demais comigo. Essa exigência vem desde a infância, por isso acho que fico muito frustrada quando meu esforço é desprezado (mas não vamos falar em notas novamente, hehe). Quem dera se eu pudesse me livrar pra sempre de mim mesma! Sobraria mais espaço para ser feliz.
Bom, voltei decidida a abandonar o que fosse preciso para, enfim, realilzar os meus sonhos, sempre adiados por uma coisa ou outra. Depois de tudo resolvido em mim, decisões e mudanças prontas para serem colocadas em prática, eis que surge uma decepção muito grande, muito mesmo, que despertou em mim o que chamo de "desespero vermelho de um apocalipse luminoso". É aquela coisa sabe: a gente fica a vida inteira esperando e quando chega a hora bate um "sei lá, esperei até agora, vou esperar mais um pouco".
E os meus sonhos lá no fundo do baú, mofados.
Semana passada eu estava na aula observando o atendimento de uma colega e comecei a pensar em certas manias que as pessoas têm. Eu, por exemplo, tenho mania de pensar muito, especialmente em momentos como esse: eu atrás de um espelho observando minha colega fazer uma coisa que eu já vi várias vezes.
Enfim, pensando sobre isso percebi que não sou uma pessoa simples e básica como sempre achei, muito pelo contrário, sou cheia de manias. É tão difícil enumerá-las que decidi fazer isso em tópicos.
Mania de escrever em tópicos: isso é culpa da tal objetividade. Escrever em tópicos me permite discorrer melhor sobre o assunto, dá para explorar de forma mais completa cada tópico. Essa tal objetividade que tanto me ajudou na faculdade de jornalismo, agora está me atrapalhando na faculdade de fonoaudiologia. Mas eu jamais deixarei de ser objetiva, odeio enrolations.
Mania de limpeza: bom, esse tópico dispensaria comentários. Porém, a minha mania de limpeza é praticamente um transtorno obsessivo compulsivo. Um exemplo é que eu não consigo sentar para fazer qualquer coisa se percebo que algo está sujo na minha casa. Ah, sim... na minha casa. Na casa dos outros eu não fico reparando, a não ser que a coisa esteja muito feia mesmo.
Mania de organização: bom, essa é, com certeza, um transtorno obsessivo compulsivo. Só para ilustrar: uma noite eu organizei a casa antes de dormir, porque dormir com a casa desorganizada é praticamente impossível para mim. Quando finalmente deitei na cama, comecei a pensar onde tinha deixado minhas botas, mas não conseguia visualizar. Aí me lembrei que as botas não estavam no lugar. Pior: elas não estavam alinhadas, uma do lado da outra, pé direito do lado do pé esquerdo, ambos os pares virados para o mesmo lado. Quem disse que eu conseguia dormir? Nada... tive que levantar e arrumar as botas. Dias depois, estava assistindo Friends e aconteceu a mesma coisa com a Mônica. Pode? E eu que achava ela neurótica...
Mania de dormir tarde: dormir às 22h? Utopia. Nem pensar. A não ser que você queira que eu acorde deprimida. Agora estou conseguido dormir lá pela 1h, porque estava um pouco difícil dormir às 3h30 e acordar às 5h30 para ir trabalhar. Mas não vejo a hora de me formar e poder dormir às 3h30 de novo.
Mania de acreditar: eu ainda acredito que as pessoas são sinceras e verdadeiras. Afinal, por que uma pessoa falaria algo para mim, de livre e espontânea vontade, se não é o que ela pensa? Eu acredito mesmo e talvez essa mania seja responsável pelo maior número de decepções da minha vida. As que eu tive e as que ainda terei. Eu tenho consciência de que isso pode acontecer, mas o meu jeito de ser - sincero e verdadeiro - não me permite acreditar na prevalência da má-fé.
Mania de silêncio: eu poderia deixar que o silêncio fosse meu pior inimigo, mas prefiro que ele seja meu melhor amigo. Muitas vezes tive raiva de mim por permanecer em silêncio em certos momentos. Mas sempre acabo convencida de que o silêncio, muitas vezes, é a melhor resposta.
Mania de solidão: eu preciso disso. Se tivesse que escolher entre ficar sozinha e comer, certamente escolheria ficar sozinha. Eu tenho lutado muito para ter momentos de paz, desligar o telefone e saber que ninguém vai me cobrar por estar desligado, passar a tarde no quarto vendo TV sem me preocupar com trabalhos de aula, sair para caminhar na rua sem ninguém ficar me ligando querendo saber onde estou, porque, quando, como.
Mania de observar: tudo e todos. Já passei por cada constrangimento... é que eu gosto de observar principalmente as pessoas. Eu fico olhando e imaginando onde elas moram, o que fazem, se são felizes ou não, que tipo de preocupações têm, se estão sentindo alguma dor, se são casadas ou solteiras, se têm filhos ou não, se têm carro ou não, se têm pai e mãe ou só um dos dois, que horas acordam de manhã, se gostam de sair ou ficar em casa... nossa, tem tantas coisas. Eu faço isso com as casas também. Sempre fico imaginando como é morar em tal lugar, prós e contras, se é aconchegante, se dá trabalho, essas coisas. Mas sabe como é... eu também me sentiria estranha se estivesse num lugar e uma louca ficasse me olhando o tempo todo. Já fui até xingada por causa disso.
Mania de querer bem: eu amo as pessoas e quero que todas estejam bem sempre. E cada conquista de um amigo, conhecido ou alguém que só ouvi falar me deixa muito feliz.
Putz.. achei que conseguiria enumerar todas. Acho que vou dividir em capítulos, hehehe.
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Gentes: eu quero mais torcida. Dessa vez não vou concorrer a nada, mas vou apresentar meu trabalho em Gramado, no congresso de fono. Sabe né... essas coisas costumam deixar as pessoas nervosas, hehe. Vai dar tudo certo.
Para finalizar este post, vou colocar um verso do Fernando Pessoa que está na epígrafe do meu TCC e fala sobre outra mania da Paula: querer sempre buscar o impossível.
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Não quero rosas, desde que haja rosas.
Quero-as só quando não as possa haver.
Que hei-de fazer das coisas
Que qualquer mão pode colher?