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Terra Blog

16.04.09

Tentar de novo? Quantas vezes for preciso.

Quem diria, a Paula abandonou o blog... que coisa, não? Logo ela, que adora falar pouco e escrever muito.
Puxa vida, nem sei como me explicar. O fato é que eu sempre quis ter uma casa legal, cheia de gente - e não é que consegui? Isso não é justificativa, eu sei, afinal há mais de um ano atrás escrevi vários posts em um mês lotadão: tcc, trabalho, formatura, filhos, marido, cachorro, papagaio...
É que já estava de saco cheio de mim. Que pessoa mais chata, sempre tendo motivos para reclamar da vida! Mas que graça tem escrever se não for para compartilhar sentimentos? Claro que fica mais fácil falar sobre eles quando estamos insatisfeitos. E é óbvio para quem me conhece que não tive motivos para escrever sobre coisas legais nos últimos tempos.
Sim, as coisas mudaram. É aquele velho clichê: depois da tempestade sempre vem a bonança. Logicamente demorei para perceber que a tal bonança havia chegado, afinal, ela sequer se apresentou. Chegou numa boa, sem dizer nada e foi ficando (OBS: bonança não quer dizer dinheiro, hehehe). Sei que essa tal mencionada anteriormente (existe sinônimo para bonança?) chegou num dia aparentemente normal. Eu estava novamente indo trabalhar a pé, morro acima, cansada, suada, putadacara. Cheguei na metade da subida e pensei: será que vou reto e volto a subir depois, ou enfrento mais essa subida e depois ando reto até chegar?
- Peraí Paula, o que te custa subir mais um pouquinho? Fui pensando (de novo): só mais um pouquinho... Aí percebi que a vida toda fui assim. Quando estou desanimada, cansada, sempre penso comigo: “só mais um pouquinho”. Sabe que funciona? É isso que me leva a acreditar que todas as situações são passageiras. Quando está ruim, penso que um dia ou outro tudo vai melhorar e quando está bom, penso que isso também não vai durar para sempre.
À noite, em casa, sentei para checar os e-mails e tinha um vídeo muito interessante. Mostrava uma pessoa sem membros dando uma palestra super bem humorada em uma escola. Enquanto via o vídeo, tentei enxergar os membros dessa pessoa, parecia que ficavam escondidos por baixo das roupas, sei lá. Assisti várias vezes até me convencer de que ele realmente não tinha membros. Entendi o recado. Sempre achamos que os piores problemas são os nossos e quando encontramos pessoas com problemas maiores tentamos encontrar algo que justifique sua força de vontade.


É chato não ter carro e ter que andar a pé? Até pode ser, mas enquanto tenho pés, isso é o que menos importa.

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  • Postado em 13:55:33

24.12.08

Ensaio para a felicidade

Pensei várias vezes essa semana em escrever uma mensagem de fim de ano para mandar aos meus amigos, aquelas mensagens cheias de palavras bonitas, desejos de prosperidade e blábláblá. Desisti. Não que eu não queira desejar todas aquelas coisas maravilhosas aos amigos, mas se eu fosse escolher, desejaria a eles "qualidade de vida". Imagine: Querida amiga, estou passando pra te desejar um Feliz Natal e qualidade de vida no ano novo. Ficaria tão estranho que renderia um post.


Mas, analisando menos superficialmente (é que profundamente fica forçado, né?), quando você deseja qualidade de vida, deseja várias coisas maravilhosas que vêm junto no pacote. Eu gostaria muito que nenhum dos meus amigos precisasse levar o choque que eu levei para perceber que a vida é tão boa, que é tão simples ser feliz..


Enfim, o que eu quero desejar mesmo, é que você possa viajar quando tiver vontade, nem que seja para a cidade ao lado; possa ficar sozinho às vezes, mas que isso signifique paz e não solidão; possa ter alguém para amar, sem se preocupar com o 'felizes para sempre'; que tenha fé, mesmo que seja em si mesmo; que todos os dias ao acordar você possa sorrir para alguém, nem que seja para o espelho. E que você se lembre, todos os dias, que está vivo e, independente do seu estado de espírito, isso é o que importa.


Seja feliz!

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  • Postado em 07:16:39

03.10.08

Escudos transparentes, cacetetes

Um dia você entrou na minha casa, me pegou no colo e disse ao meu pai que eu daria muito trabalho quando crescesse. Lembro disso como se fosse hoje porque a infância é uma época de inocência, que nos deixa boas lembranças apenas, porque estamos alheios à realidade mais cruel, aquela que a gente conhece só quando cresce e que nos apresenta as faces mais obscuras do ser humano.
Você saiu da minha casa um dia sem dizer tchau e hoje eu agradeço a sei lá o que por ter me privado dessa convivência pelo resto da minha vida.
Eu fui criada para ser humilde. Sou ambiciosa sim, mas minha ambição tem medidas, ela termina quando começa o respeito pelo outro. O que posso dizer de você? Eu fui criada para respeitar diferenças, sejam elas políticas, religiosas, esportivas ou gastronômicas. Esse meu respeito esbarrou um dia na sua cara de pau e eu não consegui ser mal educada, apenas me retirei, apesar da sua indescritível falta de educação.
Ontem, porém, eu percebi que você não se importa com valores. Valores são dispensáveis para quem almeja somente o poder, cada vez mais, cada vez maior. Isso o tornou uma pessoa inconveniente, violenta, desprezível.
A guerra civil a que nos submeteu nos últimos dias, a violência de sua milícia, seu discurso baixo, a raiva estampada na sua cara, explícita na sua voz... é esse o exemplo que você quer dar aos seus filhos?
Eu desejo, sim, que você consiga tudo o que quer. Suba o quanto puder, mas preocupe-se com o tombo.
E obrigada, caro deputado, por apresentar a minha cidade à bandidagem.

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  • Postado em 10:00:45

17.07.08

Da dor.

As coisas mudaram por aqui. Finalmente conseguimos reunir a família e os amigos de Tapejara, Ibiaçá, Ijuí, Itajaí e de tantos outros lugares onde você os conquistou. Ninguém tinha compromissos inadiáveis e a distância não foi pretexto. A tristeza de tantos “filés” só me fez sentir mais triste, solitária, desolada. Foi difícil ter que conversar, relembrar, ser gentil com as pessoas. Na verdade, tudo o que mais queria era poder me trancar no meu mundo de vez e esquecer tudo o que fosse.
As coisas estão diferentes. Falta o sorriso, a alegria, a simpatia. Mais do que isso, ficaram coisas a ser ditas, fatos a ser contados, confidências a ser compartilhadas. Nunca vi meu pai tão triste, minha mãe tão inconformada. Todos vieram e todos choraram.
A Larissa não consegue mais torcer pro Inter, o Guto se pergunta como você teve coragem de entrar em nossa vida, tomar conta e ir embora sem dizer nada. Seus colegas de trabalho não estão satisfeitos de ter que enfrentar o dia a dia sem suas brincadeiras, seu bom-humor. Sua família? Nem preciso dizer...
As crianças não gostaram, estão tristes demais. O Bernardo chorou muito, a Luísa faz de conta que você foi viajar e não consegue ficar sozinha em parte alguma.
Os dias seguintes foram cinzas e mesmo que fossem ensolarados eu não os veria assim. Tenho dormido tarde, acordado cedo e procuro assumir todas as responsabilidades que me são impostas para evitar a vontade que tenho de dormir, dormir e dormir.
Ainda estou procurando essa tal de força que todos acreditam que tenho e que não sei de onde tirar...
E essa minha falta de fé, essa descrença em tudo que seja irracional (e que você tanto criticava), não me permite acreditar em nenhuma explicação para essa tragédia e me faz pensar na incerteza que é a vida. Afinal, para que servem os planos, os objetivos, se não sei se poderei realizá-los?
As pessoas insistem em dizer que você cumpriu sua missão. Mas que missão é essa, se você nem sequer conseguiu dormir um domingo sem pensar nas contas que tinha a pagar durante a semana? Que missão é essa que não lhe permitiu desfrutar de uma das muitas viagens que planejamos, de construir nossa casa, de ver nossos filhos crescerem, de ver nossa vida melhorar?
Como eu gostaria de poder acreditar em qualquer coisa que pudesse me dar uma explicação, mesmo que dolorosa, para essa perda. Mas, para mim, a morte é o fim.

E se antes eu tinha um olho triste para escrever e um olho alegre para viver, o que farei agora com dois olhos tristes?

 

 

 

Tudo o que eu quero é sentir saudade.

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  • Postado em 01:13:39

12.05.08

Derrubada por um vírus

Nossa, há quanto tempo eu não tinha uma gripe! Nem lembrava mais o quanto é chata uma pessoa com gripe: não deixa os outros dormirem, fica o tempo todo com aquela cara de "oh, meu deus, eu estou ouvindo minha própia voz!", o nariz assado e outras coisas mais.
Nessas horas a gente lembra como é bom respirar pelo nariz, ter a cavidade oral úmida e cheirosa e que o reflexo da tosse é importante, mas tossir demais dói pra caramba.
Menos abonado nesses casos é quem tem sinusite. Que triste acordar de manhã com uma narina trancada e a outra escorrendo! Pior: com uma dor aguda que se estende da raíz do primeiro molar até a raíz dos cabelos. Ai, como dói.
Seria tão mais fácil se eu pudesse usar um daqueles remedinhos de pingar no nariz... mas o meu organismo sensível e alérgico reage cruelmente ao cloreto de sódio, princípio ativo dessas gotinhas milagrosas. Prefiro ficar com a dor aguda que se estende da raíz do primeiro molar até a raíz dos cabelos.
Mas hoje aconteceu uma coisa engraçada: eu li o horóscopo, hehe. E sabe o que dizia? "A semana começa com muita disposição física, que pode ser aplicada nos seus projetos. Poucos acontecimentos sociais importantes".
Veja bem: hoje eu acordei com a disposição de uma tartaruga na hora do rush. E que acontecimentos sociais poderiam ocorrer numa segunda feira, numa cidade de 16 mil habitantes, com a temperatura beirando os 8 graus? O que será que esse tal de zodíaco andou fazendo ontem, hein?!

  • criado por  p.aula criado por p.aula
  • Postado em 16:14:39